Distribuições
O que é uma Distribuição Linux?
Pelo facto de o Linux ser um software de livre distribuição, muitas pessoas e até mesmo empresas se empenham em organizar o kernel e mais uma série de aplicativos e manuais para que o sistema fique cada vez mais amigável.
A esse conjunto de aplicativos mais o kernel dá-se o nome de distribuição Linux. Algumas distribuições Linux são maiores que outras, dependendo da quantidade de aplicativos e a finalidade a que se propõem. Existem desde distribuições que cabem numa disquete de 1.44Mb até distribuições que ocupam vários DVD’s.
Cada uma delas têm seu público-alvo e finalidades específicas. As mini-distribuições têm como objectivo desde a recuperação de um sistema danificado seja ele linux ou até mesmo o windows até o monitoramento de uma rede de computadores (como servidor de Internet). O que diferencia uma distribuição de outra é a maneira como são organizados e pré-configurados os aplicativos que cada uma contém.
Algumas distribuições incluem ferramentas de configuração que facilitam a vida do administrador do sistema, outras do usuário de desktop.
As distribuições distinguem-se entre si também pela sua filosofia, pois cada uma defende os seus determinados objectivos e dependendo do utilizador umas são melhores que outras e vice-versa.
Mas na sua maioria, já vem com os programas que o usuário comum usa em seu pc, por esse motivo instalar uma distribuição, já vem instalado uma série de programas, que o usuário não precisa de instalar mais nada.
Se está na dúvida qual delas usar, não há nada como experimentar varias e ver qual a que se adapta a si, depois com a experiência que adquirir, pode alterar também mais a seu gosto. Por isso não se preocupe se não está a usar a melhor distribuição que podia ser para si, concentre-se em perceber o sistema e a explorar outras distribuições. Mas mais á frente dirão as melhores para iniciantes e as características de cada uma.
Por causa da filosofia de código aberto e compartilhamento de informações que existe no mundo Linux, é muito raro que uma nova distribuição seja desenvolvida do zero. Quase sempre as distribuições surgem como personalizações de uma outra distribuição mais antiga e preservam a maior parte das características da distribuição original. Isso faz com que distribuições dentro da mesma linhagem conservem mais semelhanças do que diferenças entre sí.
Mas para ter uma noção das diferenças bases entre uma distribuição e outra, devemos ter uma pequena base do funcionamento do GNU/Linux.
Quando é feito uma distribuição basicamente é pegado na última versão estável do kernel, adicionam um servidor gráfico como X, que é o programa que roda sobre o kernel e o interpretador de comandos e trata da comunicação com a placa gráfica de forma a permitir ao usuário sobre este rodar um gerenciador de janelas como o KDE ou GNOME entre outros. E depois é instalado os programas como o Mozilla firefox que é um browser (programa que permite abrir paginas da Internet como o Internet Explorer da microsoft), ou então instalar o open office (que é a suite de trabalho como o Office mas em código aberto).
Esquema simples da arquitectura de uma distribuição GNU/Linux:
Como podemos ver o Kernel Linux é a peça chave de todo o sistema.

Além disto é criado umas ferramentas gráficas ou em forma de texto de forma a permitir ao utilizador configurar a Internet, um gerenciador para os pacotes que tem instalados ou deseja instalar ou remover, normalmente este mesmo programa vai directamente aos servidores da distribuição (que dá pelo nome de repositórios) buscar os pacotes que necessita. Também com ferramentas para escolher qual é o sistema que arranca em caso de dual boot. Geralmente são estas ferramentas que mudam de distribuição para distribuição, mas como é óbvio cada distribuição pode vir com vários programas consoante a sua filosofia, normalmente as distribuições vêm todas com os programas mais usados, com um ou mais leitores de áudio e vídeo, browsers, suite de escritório (como o Office), programas para conversação online (como o msn), leitor de pdf, entre muitos outros usados pela maioria das pessoas, por isso é que depois de instalar o GNU/Linux não precisa de instalar mais nada a não ser algum programa especifico.
Quanto à interface gráfica é uma das coisas, que mais intriga quem está habituado usar o Windows, pois a interface gráfica do Windows é parte integrante do sistema e não pode ser alterada como se de um programa trata-se. No GNU/Linux a interface gráfica de facto pode ser mudada como de um programa trata-se instalando a que você quiser e no arranque normalmente tem a hipótese de escolher que interface deseja.
As mais usadas e boas para iniciar é o Gnome e o KDE, sendo Gnome mais suave para um iniciante e o KDE com mais funções e geralmente mais pesada. Existe interfaces mais leves, mas que não é recomendado para iniciantes.
Outra coisa que muda no GNU/Linux em relação ao Windows é a maneira de gerenciamento dos utilizadores. No Linux por norma é obrigatório existir o administrador do sistema que se domina por root e que tem a possibilidade de mexer em qualquer arquivo, instalar programas ou alterar qualquer definição do sistema. Depois costuma ter pelo menos um usuário que é dominado pelo nome que escolher na instalação ou quando este é adicionado (que pode ser feito por interface gráfica ou pela shell), tanto o usuário como o root costumam ter uma password de acesso, o que não é obrigatório, mas aconselhável pelo menos para o root. Normalmente não é permitido entrar como root numa interface gráfica para segurança, por isso quando entrar no sistema gráfico X entre pelo usuário que é o nome que definiu e sua password se esta existir. Caso esteja numa shell ( linha de comandos) com o cursor a piscar e antes com a informação de ‘login’ pode entrar como root com a possibilidade de alterar o sistema, ou entra com o nome de usuário e pode executar alguns comandos como chamar a interface gráfica ou mesmo mudar para root com o comando su.
Todos estes passos são desnecessários a não que ocorra algum erro com a execução da interface gráfica o que pode ocorrer principalmente em computadores antigos por não reconhecer os drivers (são códigos e programas que permitem fazer o kernel comunicar com o hardware) correcto para a placa gráfica.
Para evitar isto tente sempre que possível correr o Linux na maquina mais recente que dispor, pois muitos cometem o erro de instalar o Linux pela primeira vez em maquinas antigas, além de ser muito péssimo para adquirir gosto pelo GNU/Linux, pois há sempre o vicio de usar o pc mais novo, pode ocorrer vários problemas por não detectar correctamente o hardware, o que no hardware de hoje não ocorre tanto. E claro não se tem de preocupar se tem o Windows instalado pois ele próprio cria a opcção de dual boot (permitindo arrancar pelo Windows ou pelo GNU/Linux).
Por isso não à razões para instalar pela primeira vez o GNU/Linux naquela máquina que não toca à anos.
Das primeiras distribuições Linux, que surgiram entre 1991 e 1993, a única que sobrevive até hoje é o Slackware, que deu origem a algumas outras distribuições conhecidas, como o Vector, Slax e o College.
O Slax é um live-CD, desenvolvido para caber em um mini-CD (cd de 250Mb), o Vector é uma distribuição enxuta, optimizada para micros antigos enquanto o College é uma distribuição desenvolvida com foco no público estudantil, com o objectivo de ser fácil de usar.
Os três utilizam pacotes .tgz do Slackware e são compatíveis com os pacotes do Slackware da versão a partir da qual são desenvolvidos. Os utilitários de configuração do Slackware, como o netconfig continuam disponíveis, junto com vários novos scripts que facilitam a configuração do sistema. O Vector por exemplo inclui o Vasm, uma ferramenta central de configuração.
O Debian apareceu pouco depois e ao longo dos anos acabou dando origem à quase metade das distribuições actualmente em uso. Algumas, como o Knoppix continuam utilizando os pacotes dos repositórios Debian, apenas acrescentando novos pacotes e ferramentas, enquanto outras, como o Lycoris e o Ubuntu utilizam repositórios separados, parcialmente compatíveis com os pacotes originais, mas sempre mantendo o uso do apt-get e a estrutura básica do sistema.
Embora o Debian não seja exactamente uma distribuição fácil de usar, o apt-get e o gigantesco número de pacotes disponíveis nos repositórios formam uma base muito sólida para o desenvolvimento de personalizações e novas distros.
Um dos principais destaques é que nas versões Testing e Unstable, o desenvolvimento do sistema é contínuo e, mesmo no stable, é possível actualizar de um release para outro sem reinstalar nem fazer muitas modificações no sistema. Você pode manter o sistema actualizado usando o comando “apt-get upgrade“. Isso permite que os desenvolvedores de distribuições derivadas deixem o trabalho de actualização dos pacotes para a equipe do Debian e se concentrem em adicionar novos recursos e corrigir problemas.
Um dos exemplos de maior sucesso dentro do Debian é o Knoppix, que chega a ser um marco. Ele se tornou rapidamente uma das distribuições live-CD mais usadas e deu origem a um universo gigantesco de novas distribuições, incluindo o Kurumin. Uma coisa interessante é que o Knoppix mantém a estrutura Debian quase intacta, o que fez com que instalar o Knoppix no HD acabasse tornando-se uma forma alternativa de instalar o Debian.
As distribuições derivadas do Knoppix muitas vezes vão além, incluindo novos componentes que tornam o sistema mais adequado para usos específicos. O Kurumin inclui muitas personalizações e scripts destinados a tornar o sistema mais fácil de usar e mais adequado para uso em desktop. O Kanotix inclui muitos patches no Kernel, com o objectivo de oferecer suporte a mais hardware e novos recursos, enquanto o Morphix usa uma estrutura modular, que acabou servindo de base para o desenvolvimento de mais uma safra de distribuições, já bisnetas do Debian.
Tanto o Debian quanto o Slackware são distribuições basicamente não comerciais. Mas isso não impede que distribuições como o Lycoris e Linspire sejam desenvolvidas por empresas tradicionais, com fins lucrativos naturalmente. Elas procuram se diferenciar das distribuições gratuitas investindo em marketing e facilidades em geral.
A terceira distribuição “mãe” é o Red Hat, que deu origem ao Mandrake, SuSE, Conectiva, Fedora e mais recentemente a um enorme conjunto de distribuições menores. As distribuições derivadas do Red Hat não utilizam um repositório comum, como no caso do Debian, nem mesmo o mesmo gerenciador de pacotes. Temos o yun do Fedora, o urpmi do Mandrake e também o próprio apt-get, portado pela equipe do Conectiva. Temos ainda vários repositórios independentes, que complementam os repositórios oficiais das distribuições.
As distribuições derivadas do Red Hat são junto com o Debian e derivados as mais usadas em servidores. O Fedora, Red Hat e SuSE possuem também uma penetração relativamente grande nos desktops nas empresas, enquanto o Mandrake tem o maior público entre os usuários domésticos.
Embora todas estas distribuições utilizem pacotes rpm, não existe garantia de compatibilidade entre os pacotes de diferentes distribuições. Os pacotes de uma versão recente do SuSE na maioria das vezes funcionam também numa versão equivalente do Mandrake por exemplo, mas isto não é uma regra.
O Gentoo inaugurou uma nova linhagem trazendo uma abordagem diferente das demais distribuições para a questão da instalação de programas e instalação do sistema.
Tradicionalmente novos programas são instalados através de pacotes pré-compilados, que são basicamente arquivos compactados, com os executáveis, bibliotecas e arquivos de configuração usados pelo programa. Estes pacotes são gerenciados pelo apt-get, urpmi, yun ou outro gerenciador usado pela distribuição. Compilar programas a partir dos fontes é quase sempre um último recurso para instalar programas recentes, que ainda não possuem pacotes disponíveis.
O Gentoo utiliza o Portage, um gerenciador de pacotes que segue a ideia dos ports do FreeBSD. Os pacotes não contém binários, mas sim o código fonte do programa, junto com um arquivo ciom parâmetros que são usados na compilação. Você pode activar as optimizações que quiser, mas o processo de compilação e instalação é automático. Você pode instalar todo o KDE com um “emerge kde”. O Porge baixa os pacotes com os fontes (de forma similar ao apt-get), compila e instala.
O ponto positivo desta abordagem é que você pode compilar todo o sistema com optimizações para o processador que está usando. Isso resulta em ganhos de 2 a 5% na maior parte dos programas, mas pode chegar a 30% em alguns aplicativos específicos.
A parte ruim é que compilar programas grandes demora um bocado, mesmo em máquinas actuais. Instalar um sistema completo, com o X, KDE e OpenOffice demora um dia inteiro num Athlon 2800+ e pode tomar um final de semana numa máquina um pouco mais antiga. Você pode usar o Portage também para actualizar todo sistema, usando os comandos “emerge sync && emerge -u world” de uma forma similar ao “apt-get upgrade” do Debian.
Nas versões actuais do Gentoo você pode escolher entre diferentes modos de instalação. No stage 1 tudo é compilado a partir dos fontes, incluindo o Kernel e as bibliotecas básicas. No stage 2 é instalado um sistema base pré-compilado e apenas os aplicativos são compilados. No stage 3 o sistema inteiro é instalado a partir de pacotes pré-compilados, de forma similar a outras distribuições. A única excepção fica por conta do Kernel, que sempre precisa ser compilado localmente, mesmo ao usar o stage 2 ou 3.
O stage 1 é naturalmente a instalação mais demorada, mas é onde você pode activar optimizações para todos os componentes do sistema.
Já existe um conjunto crescente de distribuições baseadas no Gentoo, como vários live-CDs, com games e versões modificadas do sistema, alguns desenvolvidos pela equipe oficial, outros por colaboradores. Uma das primeiras distribuições a utilizar o Gentoo como base foi o Vidalinux.
Embora seja uma das distribuições mais difíceis, e cuja instalação envolve mais trabalho manual, o Gentoo consegue ser popular entre os usuários avançados, o que acabou por criar uma grande comunidade de colaboradores em torno do projecto. Isto faz com que o Portage ofereça um conjunto muito grande de pacotes, quase tantos quanto no apt-get do Debian e exista uma grande quantidade de documentação disponível, com textos quase sempre actualizados.